Exposição coletiva
WHAT REMAINS BETWEEN
- Ano
- 2026
- Apresentações
- Casa da Cultura da Comporta A Moagem Centro Social do Carvalhal Circular Gallery
- Curadoria
- Graciela Kasep
Sobre a exposição
Esta exposição reúne práticas do México, do Brasil e de Portugal em torno de uma intuição comum: a de que a matéria contém tempo, de que entre os corpos atuam forças e de que o intervalo — esse espaço tenso entre uma coisa e outra — é onde algo novo se torna possível.
As obras aqui reunidas não partilham uma origem nem um meio, mas uma sensibilidade para aquilo que acontece entre a forma e a sua história, entre o gesto e o vestígio que deixa, entre o visível e aquilo que o organiza a partir do interior.
O espírito regional não procura categorias identitárias, mas antes três latitudes com formas distintas de se relacionarem com o território, com o corpo e com a memória material. O seu encontro neste singular triângulo Comporta–Carvalhal–Melides não é casual: resulta de uma procura ativa por diálogos que ultrapassam a programação, para construir algo mais próximo de uma rede viva.
Esta exposição é o segundo exercício de verão e, com ela, o segundo intervalo de uma série que está a ser deliberadamente construída ao longo do tempo. Cada encontro deixa algo no seguinte. O que distingue este projeto não é apenas a seleção dos artistas, mas também a natureza dos espaços que o acolhem: a Casa da Cultura da Comporta, A Moagem, o Centro Social do Carvalhal e a Circular Gallery — um antigo cinema local, uma antiga fábrica de arroz, um centro comunitário e um atelier de arquitetura — coexistem numa única exposição, transcendendo as tipologias convencionais do espaço expositivo.
A rede que aqui se constrói não segue uma lógica institucional, mas antes uma procura por campos de relação entre espaços com vocações distintas, onde a arte opera como força de ligação entre o local e o Atlântico, entre o histórico e o contemporâneo, entre o comunitário e o internacional.
O conjunto organiza-se em torno de três núcleos que emergem das próprias obras. Reúne práticas que entendem o tempo e os materiais como arquivos ativos, superfícies onde o tempo se acumula. O corpo enquanto campo de forças reúne obras que abordam as camadas humanas, atmosféricas e geológicas como matéria permeável, continuamente moldada por forças invisíveis. Entre ordem e rutura examina de que forma a forma e a estrutura transportam em si as sementes da sua própria desagregação — como o ornamento se sobrepõe à composição, como o objeto desmontado revela a sua própria lógica, como o doméstico alberga aquilo que não pode ser contido.
— Graciela Kasep, Curadora
Documentação